Em quatro meses, o novo modelo de monitoramento climático, da Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro – Pesagro, reduziu em 42% o uso de agrotóxicos em lavouras de tomate na Região Serrana, informou segunda- feira (25) o presidente do órgão, Sílvio Galvão.
Os equipamentos coletam informações sobre a quantidade de chuva, umidade relativa do ar e o tempo médio em que a vegetação permanece com água na superfície. A cada 15 minutos, os dados são processados e colocados à disposição dos agricultores na internet, explicou Galvão.
“O projeto é pioneiro no Brasil. Embora em outros países existam estações de transmissão, a ideia do equipamento de monitoramento em lavouras é única. A nossa função, como empresa de pesquisa, é beneficiar a população, propor o consumo de alimentos mais saudáveis, visto que o produtor pelo sistema de monitoramento, aplica a dosagem necessária de agrotóxicos na plantação de tomate. No momento, o foco é o tomate, mas para 2014 devemos ir para a cultura do feijão, couve-flor, algodão e café”, adiantou o engenheiro agrônomo. O tomate é uma das culturas em que mais se usa agrotóxicos.
Segundo Galvão, a queda de 42% no uso de agrotóxicos também reduz o custo do produtor por safra, além de diminuir a contaminação no meio ambiente e os resíduos do produto no fruto. A cada mil pés de tomate, gasta-se R$ 300 com a compra de defensivos agrícolas e 4.800 litros de água limpa no plantio.
Nesta fase inicial, o projeto tem dez estações, com capacidade de monitorar e interpretar dados em um raio de cinco quilômetros cada uma. A partir de abril, mais dez deverão entrar em funcionamento em propriedades nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras e Duas Barras, no sul fluminense. O custo do projeto ainda é considerado alto, por volta de R$ 24 mil anuais para análise dos dados, equipamento, profissional, além de R$ 2 mil para manutenção.
“No momento, o interesse é nas associações de agricultores, em busca do barateamento do modelo. A nossa meta é chegar ao segundo semestre com 50 estações [meteorológicas]. O trabalho do técnico agrícola ou do engenheiro agrônomo será preservado e o do equipamento, apenas para melhorar o trabalho no campo”, explicou Silvio Galvão.
Atualmente, o Brasil é um dos maiores compradores de agrotóxicos do mundo e as intoxicações por essas substâncias estão aumentando entre os trabalhadores rurais, concluiu Galvão.
Fonte: Agência Brasil






Energia gerada do lixo depende de incentivo público
O Brasil deve aumentar a capacidade instalada de produção de energia a partir de resíduos sólidos para 282 megawatts (MW) até 2039, mas essa utilização de eletricidade depende de incentivo do governo para se tornar competitiva mesmo ante outras fontes de energia limpa, como a eólica e a solar, disse ontem (28) o diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho, ao apresentar o Atlas Brasileiro de Emissões de Gases do Efeito Estufa e Potencial Energético na Destinação de Resíduos Sólidos.
De acordo com a publicação, o país tem atualmente 22 projetos que preveem a geração de energia elétrica em aterros sanitários a partir de resíduos sólidos, mas apenas dois efetivamente comercializam energia, o Bandeirantes e o São João, ambos no estado de São Paulo. A capacidade instalada dos 22 projetos é 254 MW.
Para que os demais também deem início à produção, segundo Silva Filho, são necessários investimentos de US$ 5 milhões para cada 3 MW de capacidade, custo que só será atrativo a investidores com estímulos públicos. “É importante que as autoridades percebam que essa energia pode ser incorporada ao mix brasileiro. Os leilões de energia eólica vendem o megawatt-hora a R$ 250, porque o governo estipula um piso, enquanto o da energia de biomassa é vendido a R$ 120″.
O país tem mais 23 projetos que queimam o biogás sem gerar energia, o que reduz em 21 vezes seu potencial poluente, e o Aterro de Gramacho, que é o único do Brasil que vende o biogás, para a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). De um total de 46 projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, que incluem os que geram energia e os que não geram, 33 ficam na Região Sudeste, sete no Nordeste, quatro no Sul e dois no Norte. A Região Centro-Oeste é a única que não tem nenhum.
Ao apresentar a publicação, Silva Filho disse que o cumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010 e prevista para entrar em vigor em agosto de 2014, trará uma revolução para o setor no país, e, se cumprida integralmente, poderia elevar para 500 MW a capacidade instalada em 2039.
O cumprimento da PNRS, no entanto, esbarrará em um problema: 91% dos municípios brasileiros não tinham planos para a destinação correta de resíduos sólidos em 2011, 1.607 ainda depositavam todo o lixo recolhido em lixões e 2.358 não tinham nenhuma inciativa de coleta seletiva.
“Até agosto, 100% das cidades brasileiras vão ter que dar uma destinação aos resíduos sólidos, o que gera uma gasto. Os municípios não terão como resolver isso sozinhos e terão que se unir para buscar uma solução. O que não pode é, quando chegar esta data, pôr um cadeado no lixão, prender o prefeito e achar que o problema está resolvido”, disse Silva Filho. Para ele, o objetivo da publicação é incentivar o engajamento da sociedade no tratamento dos resíduos e no seu uso para gerar energia.
Fonte: Agência Brasil