Fabricantes de carros elétricos dizem que o caminho para a produção e venda desse tipo de veículo no País depende da ação do governo. “Enquanto não houver indicativo de políticas do governo não vamos trazer a tecnologia para o Brasil”, afirma o diretor de relações institucionais e governamentais da Renault Nissan, Antônio Calcagnotto. Durante mesa redonda no 8º Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos e Componentes, representantes de fabricantes de veículos elétricos pediram apoio do governo e redução de impostos para o setor.
Segundo Calcagnotto, a tecnologia funciona bem e os carros já estão sendo produzidos em massa. “Não são mais protótipos ou testes. Estamos prontos para trazer essa tecnologia se houver incentivo para isso.” Ele explica que o governo brasileiro tem de criar políticas públicas para gerar uma rede de infraestrutura, envolver mais pessoas e atrair fábricas de veículos elétricos.
“Não é a população que vai começar a comprar o veículo elétrico. O uso dessa desse tipo de carro começa pelo Estado. Ocorre que os incentivos para municípios e Estados entrarem nesse mercado ainda são muito pequenos”, afirma. “Não há como convencer taxistas e a população a pagar R$ 200 mil por um carro elétrico.” Segundo Calcagnotto, o mesmo carro nos Estados Unidos custa em torno de US$ 21 mil(cerca de R$ 42 mil). “O elevado custo no Brasil é provocado pelos impostos”, critica.
A tecnologia usada em veículos híbridos ou elétricos já está testada e parovada, segundo o diretor de Relações Públicas e Governamentais da Toyota, Ricardo Machado de Bastos. “Ainda é algo caro, porém mais eficiente e ambientalmente menos agressiva, por isso merece apoio dos governos.” Ele diz que já são mais de 3 milhões de Prius espalhados por quase todos os países do mundo. “Em todos os casos houve apoio do governo.”
Bastos revela ainda que a Toyota tem propostas que levam à produção nacional de veículos híbridos, mas que dependem de negociações com o governo. Ele diz que o próprio presidente da Toyota já afirmou que a partir do momento que houver demanda de 50 mil carros por ano instala uma fábrica no País. “Essa é a hora de criarmos o mercado porque sem ele ninguém investe.”
Os Estados Unidos já estão construindo a primeira fábrica de veículos elétricos com uma expectativa de produzir 100 mil por ano. Portugal está investindo em uma fábrica de bateria, conta o dirigente da Renault Nissan. Ele diz que o Brasil deveria criar, o mais rápido possível, um mercado nacional e atrair esse setor de ponta da indústria automobilística. “Quanto mais demorarmos para ter um mercado interno, mais longe ficaremos dessa indústria de ponta. As montadoras vão se instalando ao redor do mundo e vai ficando cada vez mais difícil entrar”, ressalta Calcagnotto.
Fonte: Terra





Adeus Força Verde: Paraná extingue seu batalhão florestal
Falta a assinatura do governador do Estado do Paraná, Beto Richa, para que se torne válido o decreto que extingue o Batalhão de Polícia Ambiental, também conhecido como Força Verde, especializado em fiscalização ambiental. Pela proposta, o efetivo policial será utilizado no combate ao crime e no aumento de viaturas nas ruas, segundo fonte ouvida pelo Oeco. De acordo com reportagem publicada no jornal Gazeta do Povo, que teve acesso aos documentos do projeto, não há data definida para as mudanças na polícia do Paraná.
Promessa de campanha do atual governador do Estado, a reestruturação dos órgãos de Segurança Pública do Paraná, outrora esperada com aporte de recursos para o aumento do efetivo policial através de novos concursos e um plano de polícia cidadã, se encaminha para a extinção dos batalhões especializados (Polícia Rodoviária Estadual, Patrulha Escolar e Força Verde) e distribuição dos seus quadros dentro do policiamento ostensivo.
Criado em 4 de abril de 1957 (e na época chamado de Corpo de Polícia Florestal), através da Lei Estadual nº. 3076, o Batalhão de Polícia Ambiental Força Verde (BPAmb-FV) foi o segundo corpo policial especializado na área criado no Brasil (o primeiro foi em São Paulo) e possui um efetivo de 575 policiais, “montante defasado para o desenvolvimento das atividades de policiamento ambiental em todo o estado”, segundo o próprio website da corporação. O Batalhão é dividido em 4 companhias, cada uma contando com 4 pelotões.
O erro de estratégia do governo do Paraná é seguir a anedota do “cobertor de pobre”: tentar reforçar uma área que precisa aumentar o efetivo policial desmobilizando outra (que também já estava carente). O projeto de reestruturação se chama “Renascimento da Polícia Militar”. Pretende melhorar a eficácia da corporação, mas com a extinção do Batalhão Ambiental, já de início é controvertido: o efetivo de policiais da Força Verde representa apenas cerca de 3% do efetivo total da Polícia Militar paranaense, de14,5 mil policiais. Juntos, os batalhões especializados prestes a serem extintos não chegam a 10% do total de homens.
A utilização de polícias especializados no patrulhamento urbano também é algo a ser levar em conta. Não se sabe se a inserção destes policiais no combate ao crime urbano será tão eficiente quanto de seus colegas, já treinados para tal função. Da mesma maneira, a utilização de policiais sem conhecimento especializado na área ambiental pode criar consequências severas pela falta de conhecimento dos profissionais no âmbito.
E principalmente, valerá a pena desmatelar um batalhão que representa apenas 3% do efetivo total da Polícia Militar paranaense, para combater crimes urbanos?
A fórmula já foi seguida pelo governo do Mato Grosso e aparentemente não deu certo. Em 2007 o governo Blairo Maggi extinguiu o Batalhão Florestal do estado, que acabou sendo reativado em 2010.
Fonte: Planetaemperigo.com.br