RJ ‘esquece’ meta olímpica e vê Guanabara limpa em 2035

Na semana em que começa a contagem regressiva de um ano para a Olimpíada de 2016, o governo do Rio de Janeiro “caiu na real”. Governador e secretário de Estado falaram com sinceridade sobre a Baía de Guanabara, assumiram erros históricos na limpeza do espaço e abandonaram definitivamente a meta olímpica de despoluição do local. Lançaram ainda um novo plano de recuperação da área, o qual prevê um investimento de, no mínimo, R$ 12 bilhões no saneamento da região da Guanabara e a despoluição das águas do espaço dentro de um horizonte de 20 anos, ou seja, em 2035.

O novo plano para recuperação da baía foi apresentado em evento público nesta segunda-feira (3). Por meio da iniciativa, o governo do Rio fez uma parceria com sete universidades e três centros de pesquisa para planejar ações que visam eliminar o despejo de esgoto não tratado na Guanabara não mais para a Olimpíada, mas sim no longo prazo.

Em 2009, quando o Rio de Janeiro, candidatou-se à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o Estado prometeu tratar ao menos 80% do esgoto que chega à Guanabara –hoje, o Estado trata 50%. Para o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, essa meta foi um erro e não será cumprida. Uma nova meta olímpica de despoluição será divulgada após estudos preliminares que as universidades farão para a recuperação da Guanabara.

“Erramos. Agora, não podemos seguir errando”, ratificou o governador Luiz Fernando Pezão. “Só vamos divulgar uma meta depois que tivermos os estudos necessários.”

Pezão disse que Estado não pode olhar a baía só com um olhar olímpico. Ele disse que o governo tem que ter como meta tratar 100% do esgoto que chega ao local, mesmo que isso leva muitos anos e demande grande investimentos.

Dados da Secretaria e Ambiente indicam que pelo menos R$ 12 bilhões são necessários para universalizar o saneamento em municípios ao redor da baía. Até agora, o governo do Rio investiu só R$ 2,5 bilhões em obras para tratamento de esgoto. Já prometeu também aplicar mais R$ 3 bilhões nos próximos anos.

Segundo Pezão, a partir de agora, as universidades e centros de pesquisa podem ajudar o governo a encontrar formas de financiamento e de redução do custo das obras necessárias na baía. Rogério Vale, pesquisador da UFRJ (Univeridade Federal do Rio de Janeiro), só lembrou que isso pode levar um bom tempo para realmente acontecer.

“Vamos trabalhar num plano gradual e de longo prazo para recuperação da baía”, disse Vale, que representou uma das universidades que trabalharão pela despoluição da Guanabara. “Estamos falando num horizonte de 20 anos. A baía pode atingir uma boa condição em 2025, 2030 ou mesmo 2035.”

Vale afirmou que, até o final do ano, as universidades vão divulgar o que precisa ser feito na baía e um plano de execução. A partir daí, vão monitorar e checar se tudo está sendo feito.

Pezão afirmou que, apesar do novo plano de recuperação da Guanabara ter sido apresentado só agora, a baía terá condição de receber competições olímpicas. No ano passo, foi realizado no espaço o primeira competição-teste de vela da Rio-2016. Tudo ocorreu bem. De hoje até 2016, a situação da água ainda deve melhorar, disse Pezão.

Fonte: Uol

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