Arroz geneticamente modificado reduz emissão do segundo maior vilão do efeito estufa

O arroz, um alimento básico para mais da metade da população mundial, é também conhecido pelos ambientalistas como uma das maiores fontes de metano atmosférico, o segundo gás que mais contribui para o efeito estufa. Agora, depois de mais de uma década de estudo, pesquisadores de três países conseguiram criar um tipo de arroz que emite quase nenhum metano durante o crescimento da planta, além de conter mais amido, algo positivo para tornar a fonte de alimento mais rica e gerar maior quantidade de biomassa para a produção de energia.

Para criar o novo grão, apelidado de SUSIBA2, os cientistas introduziram um único gene de outro grão, a cevada, à célula vegetal do arroz comum. A experiência resultou em uma planta capaz de nutrir seus caules, folhas e os próprios grãos com mais eficiência, ao mesmo tempo em que “matava de fome” os micróbios que produziam o gás metano no solo.

O que os pesquisadores fizeram foi concentrar as taxas de carbono e açúcar resultante da fotossíntese nas partes superiores da planta. Durante a fotossíntese, o dióxido de carbono é absorvido e transformado em açúcar, que ou alimenta a planta ou fica armazenado. O detalhe é que as raízes cheias de nutrientes da planta combinadas com um solo quente e úmido formam o ambiente ideal para as bactérias realizarem a metanogênese, processo final que resulta na produção do metano.

Em uma parte inicial do estudo, os pesquisadores investigaram de que maneira uma proteína especial, chamada fator de transcrição, interferia na distribuição desse açúcar ao longo da planta. Eles então canalizaram mais carbono para as sementes de arroz, criando um grão mais volumoso e com mais amido. Eles também observaram que canalizando carbono e açúcar resultante para folhas e caules aumentava a massa do grão e criava maior quantidade de biomassa vegetal, ou bioenergia. Como o carbono praticamente não chegava às raízes e ao solo, os micróbios não conseguiam produzir metano.

Os pesquisadores descobriram o fator de transcrição envolvido e concluíram que a molécula funcionava como um gene “controlador mestre”, pois tinha a capacidade de direcionar a maior parte do carbono disponível para os grãos e folhas. “Ao controlar onde o fator de transcrição é produzido, podemos impor onde em uma planta o carbono – e os açúcares produzidos – se acumulam”, disse Christer Jansson, um dos pesquisadores envolvidos e diretor de ciências das plantas no PNNL, um laboratório de pesquisa do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Na China, os pesquisadores plantaram o arroz geneticamente modificado ao lado de uma plantação de arroz comum e, após três anos, observaram que o SUSIBA2 havia aumentado a produtividade da cultura e praticamente eliminado as emissões de metano.

Combate ao efeito estufa

“Tentativas para aumentar a produtividade do arroz e reduzir as emissões de metano, como vistos no arroz SUSIBA2, podem ser particularmente benéficas em um clima futuro com o aumento das temperaturas, resultando em aumento das emissões de metano provenientes de plantações”, diz o estudo, publicado no jornal Nature.

Os arrozais contribuem para até 17% da emissão global de metano, ou 100 milhões de toneladas por ano. Ainda que seja uma taxa relativamente menor do que o dióxido de carbono, o principal gás de efeito estufa, o metano retém cerca de 20 vezes mais calor.

Fonte: PNNL

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