Empresa promete ‘revolução’ com baterias para residências

A fabricante americana de carros elétricos Tesla Motors anunciou ter inventado uma bateria que armazena energia para abastecer casas e empresas.

Os dispositivos podem “guardar” energia proveniente de fonte solar, eólica ou captada do sistema elétrico e conseguiriam garantir seu suprimento durante apagões ou em áreas remotas.

A Tesla Motors pretende começar a vender essa bateria nos próximos meses e promete ‘revolucionar’ o mercado da energia no mundo, ao dar a seus usuários mais independência das redes elétricas e uma alternativa a geradores movidos a combustível fóssil.

Segundo o presidente da Tesla Motors, Elon Musk, a inovação pode ser particularmente útil em países em desenvolvimento. “Isso será uma grande solução para pessoas em partes remotas do mundo”, disse Musk.

“Vamos ver algo semelhante ao que aconteceu com os celulares e as linhas fixas de telefone. Com os celulares não houve a necessidade de estender as redes telefônicas em muitos países e em localidades remotas.”

Segundo um comunicado da Tesla Motors “(a nova bateria) é um passo crítico na missão (da empresa) de permitir a geração de energia sem emissão (de poluentes)”.

A empresa é conhecida por suas inovações no ramo de veículos elétricos, mas Musk também tem apostado em pesquisas em outras áreas.

Em 2013, ele revelou um projeto bilionário para a construção de um sistema de transporte de passageiros em cápsulas que podem viajar por cima e por baixo da terra.

O chamado Hyperloop usaria magnetos e ventiladores para impulsionar essas cápsulas, que flutuariam dentro de um longo tubo, movidas a energia solar. Segundo Musk, o sistema poderia permitir que uma viagem de apenas meia hora ligasse as cidades de Los Angeles e San Francisco, que ficam a 610 km uma da outra.

Nova tecnologia

De acordo com analistas, a nova bateria recarregável de íon-lítio da Tesla Motors usaria uma tecnologia semelhante a das baterias dos carros elétricos produzidos pela empresa.

O Deutsche Bank calcula que a venda desses sistemas de armazenamento de energia possa gerar US$4,5 bilhões (R$13,5 bilhões) em receita para a Tesla Motors, que em fevereiro anunciou ter tido um prejuízo de US$ 107 milhões (R$322 milhões) no quarto trimestre de 2014.

A empresa pretende vender a unidade de 7 kWh por US$ 3.000 (R$9.048), enquanto a unidade de 10 kWh sairia por US$ 3,500 (R$10.556) para os instaladores.

Para se ter uma ideia, um kWh é suficiente para garantir dois dias de trabalho em um laptop ou um ciclo de lavagem de roupa na máquina.

Musk diz que os usuários também poderiam usar as baterias em suas casas e empresas para captar energia do sistema elétrico nas horas do dia em que esta é mais barata – o que lhes ajudaria a economizar na conta de luz.

Segundo o executivo, por enquanto será feita uma parceria com a Solar City – empresa na qual o executivo é o maior acionista – para que ela se encarregue da instalação desses dispositivos. Mas outras empresas também teriam mostrado interesse em fazer esse trabalho.

Repercussão

Para Alasdair Cameron, ativista em favor das fontes de energia renováveis da ONG Friends of the Earth (Amigos da Terra), os painéis solares e baterias para armazenar energia em casa no futuro podem se tornar tão comuns como os sistemas de aquecimento central de residências em países frios.

“Assim como a internet mudou a forma como usamos a informação, as fontes de energia renováveis, como a eólica e a solar, estão mudando o modo como geramos e usamos esse recurso. E o seu armazenamento é um passo importante nesse processo de mudança”, diz ele.

“Estocar energia de forma eficiente e mais barata permitirá aos indivíduos e às empresas usar essa energia renovável a qualquer momento, reduzindo a necessidade de combustíveis fósseis responsáveis pelas mudanças climáticas.”

Já Richard Taylor, correspondente da BBC News em San Francisco, ressalta os desafios que a Tesla tem pela frente para garantir o sucesso de seu novo produto.

Para começar, pode não ser tão fácil para a empresa conquistar clientes dado o preço relativamente elevado da nova bateria, segundo Taylor.

“A empresa também enfrenta a concorrência de rivais com bolsos mais recheados que tem buscado criar baterias semelhantes, como a General Electric e a sul coreana LG Chem”, diz Taylor.

“Além disso, há o risco de que essa bateria de íon-lítio seja ultrapassada em poucos anos por outra tecnologia que a Tesla não domina.”

Fonte: BBC Brasil.

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