Sucesso nos anos 60, carro-anfíbio é disputado por colecionadores

Nossos céus não estão repletos de carros voadores e o Lotus Esprit submarino de James Bond continua sendo apenas ficção, mas em plenos anos 60, muitas pessoas podiam comprar um carro que também funcionava como barco – e que era produzido em larga escala.

Apesar de não ter um desempenho brilhante, o Amphicar funcionava dos dois modos. Sua fabricante, o Quandt Group, pertencia à BMW e não a uma montadora de fundo de quintal. Era um produto comercial de verdade.

Fabricado entre 1961 e 1968, o Amphicar inaugurou não só uma nova modalidade de veículo como também quebrou a cabeça das seguradoras.

A americana Hagerty Insurance começou sua vida corporativa fazendo seguros para barcos. Mas seus clientes donos de um Amphicar tinham que ter duas apólices, uma para a “metade” carro e outra para a “metade” barco do veículo. Da mesma maneira, o veículo tinha duas matrículas. Ou seja, ser dono de um Amphicar não era muito barato.

“Não era nem um bom carro nem um bom barco, mas era bastante peculiar”, decreta Jonathan Klinger, vice-presidente de comunicações da Hagerty, hoje especializada em fazer seguros de veículos de colecionadores.

Desenvolvido pelo designer alemão Hans Trippel (mais conhecido por ter criado as portas “asa-de-gaivota” da Mercedes-Benz 300SL), o Amphicar se parece com muitos outros sedãs compactos alemães fabricados nos anos 50. É praticamente o cruzamento de um DKW, um Wartburg e um Trabant, andando na ponta dos pés.

A parte inferior do Amphicar se erguia acima das rodas salientes para evitar que elas raspassem ao entrar na água.

A base da proa era pontuda, mas se escondia discretamente sob a frente convencional do carro, ajudando a disfarçar sua identidade secreta, como o terno de Clark Kent cobrindo o chamativo “S” vermelho em seu peito.

Mas assim como a capa do Super-Homem aparecendo por trás do paletó de Kent, a popa, com suas duas hélices idênticas, revelavam os superpoderes do carro.

De maneira geral, o Amphicar disfarçava tão bem seu duplo papel que, conta-se, o então presidente americano Lyndon Johnson, dono de um modelo Lagoon Blue, adorava dirigir o veículo até entrar em um lago de sua fazenda enquanto gritava “O freio não está funcionando, vamos cair na água!”, assustando seus empregados.

Os Amphicars que sobreviveram após o encerramento da produção têm hoje entre 48 e 55 anos. Alguns ainda encaram a água, mas precisam ter sua lataria testada antes por causa da ferrugem.

O problema acontece principalmente quando a água não é bombeada para fora corretamente e se acumula no fundo do casco, provocando uma corrosão. Um buraco no chão de um carro é uma dor de cabeça, mas um buraco no chão de um barco é um desastre.

De acordo com o material promocional original do Amphicar, seu motor de quatro cilindros atingia 1.147 cilindradas e 38 cavalos de potência.

O motor comandava as rodas traseiras com um câmbio manual de quatro marchas. Através de uma caixa de transferência semelhante à encontrada em antigos veículos 4 x 4, o motor gira as duas hélices.

Como suas rodas continuam no lugar quando estão submersas, a velocidade máxima oficial atingida pelo Amphicar na água era de 12 km/h. Ou seja, ele está mais para um pedalinho do que para uma lancha.

As rodas dianteiras também serviam como lemes, orientando o Amphicar na água assim como faziam em terra firme.

As portas tinham uma segunda vedação de borracha. O teto conversível flexível e as janelas retráteis ajudavam o carro a encarar todo tipo de clima tanto na água quanto na estrada – se bem que poucos donos se aventuravam com ele no mar, por exemplo, por causa dos apenas 55 centímetros separando a superfície da água das janelas.

Alguns modelos vinham com rádio opcional, como era comum entre os carros da época. Remos, coletes salva-vidas e um extintor de incêndio também poderiam vir com o carro, se o comprador desejasse.

A mediocridade do Amphicar tanto como barco quanto como carro limitou as vendas a pouco menos de 4 mil unidades enquanto o veículo foi produzido.

Mas o interesse entre os colecionadores pelo modelo sempre foi grande. “Esse carro é tão raro que seu valor só tende a aumentar”, afirma Klinger. “Hoje ele é uma boa aposta para quem quer ter uma coleção variada de veículos que marcaram época.”

Fonte: BBC Brasil.

 

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