Cientistas encontram novos gases nocivos à camada de ozônio

Novas substâncias podem colocar em risco a recuperação da camada de ozônio, relata um estudo publicado na revista Nature Geoscience, neste domingo. Análises de amostras de ar da Tasmânia e do gelo da Groenlândia revelaram a presença de quatro novos gases artificiais nocivos ao ozônio estratosférico.

Segundo a equipe da Universidade de East Anglia, responsável pelo estudo, esses gases têm origem em atividades humanas, mas os cientistas ainda não identificaram a fonte. Desconfia-se, no entanto, que eles sejam usados na produção de pesticidas agrícolas.

A descoberta preocupa. Os clorofluorcarbonos (CFCs) e gases semelhantes foram proibidos pelo Protocolo de Montreal, em 1987, em resposta aos crescentes danos que causavam à camada de ozônio, escudo protetor natural da Terra contra os raios prejudiciais do sol.

Sete tipos de CFC e seis de hidroclorofluorocarboneto (HCFC, um gás intermediário do CFC) são reconhecidamente associados à destruição da camada de ozônio. Por força do tratado internacional, a concentração da maioria tem diminuído progressivamente.

Na contramão desta tendência, os cientistas estimam que cerca de 74 mil toneladas dessas quatro substâncias recém-descobertas tenham sido liberadas na atmosfera no último meio século.

Isso é apenas uma pequena fração das milhões de toneladas de CFCs produzidas a cada ano até 1980, quando o acúmulo atingiu pico histórico, segundo a equipe. Entretanto, esta nova descoberta levanta questões sobre a eficácia contínua do tratado.

O CFC-113a é uma das quatro substâncias químicas artificiais recém-descobertas. Diferentemente dos outros gases, ele parece acumular ininterruptamente nos últimos 50 anos. Pior, entre 2010 e 2012, as emissões desse gás deram um salto de 45 por cento. Uma das possíveis fontes do CFC-113a é seu uso como matéria-prima de pesticidas agrícolas, sugere o estudo.

Na lista de novos gases aparecem outros dois CFC e um HCFC, que também afetam a camada de ozônio, mas a um menor grau.

“Nós ainda não sabemos a origem destes produtos químicos” diz o Dr. Johannes Laube, que liderou o estudo, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “Atividade ilegal é uma possibilidade, mas também há muitas lacunas no Protocolo de Montreal, que podem precisar ser revistas.’

Quase todos os CFCs também são gases de efeito estufa centenas de vezes mais potentes que o dióxido de carbono, embora suas concentrações sejam muito menores. Segundo os pesquisadores, seu esfeitos sobre o clima também devem ser considerados.

Fonte: Exame.com

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