Motor de foguete chinês falha e Brasil perde satélite Cbers-3

Uma falha no foguete chinês Longa Marcha 4B durante o voo provocou o fracasso do lançamento do satélite sino-brasileiro Cbers-3, que caiu após funcionar durante 30 minutos.
Segundo informações divulgadas ontem pela direção do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos, a falha ocorreu no terceiro estágio do Longa Marcha, onde estava o satélite.
O motor desse estágio, o último do foguete deixou de funcionar 11 segundos antes do previsto.
O Cbers-3 foi lançado, mas não atingiu a velocidade necessária para permanecer em órbita.
A operação de lançamento ocorreu normalmente. O foguete foi lançado no horário previsto, 1h26 ( horário de Brasília), da base chinesa de Taiyuan, distante 776 km de Pequim.
O problema somente foi detectado uma hora após o voo do foguete e confirmado por volta das 4h30.
Segundo o vice-diretor do Inpe, Oswaldo Duarte Miranda, o satélite deveria atingir velocidade horizontal entre 7 e 8km/s.

No entanto, ficou bem abaixo do previsto. Além disso, o orbitador também foi lançado fora da órbita prevista. Ele deveria atingir 778 km de altitude, mas foi lançado a 720 km.
O Brasil vai permanece até 2015 sem satélite próprio para monitorar desmatamentos, queimadas, safras agrícolas, entre outras aplicações do Cbers-3, que iria substituir o Cbers-2B, desativado em 2010.

Operação

Depois de lançado, o Cbers-3 chegou a funcionar durante 30 minutos.
“Todos os parâmetros do satélite funcionaram. O painel solar foi aberto, o computador de bordo funcionou e o satélite enviou dados do seu funcionamento para o centro de rastreamento”, disse o vice-diretor.
Depois de meia hora, os sinais do satélite não foram mais captados. A possibilidade mais provável é que o Cbers-3 tenha reentrado na Terra. Ao cair, deve ter se desintegrado.
“Nenhum centro de rastreio conseguiu identificar a trajetória do Cbers na queda”, disse Miranda.
Ele avalia que não houve fracasso porque o satélite funcionou como o esperado.
“Não podemos falar em fracasso, porque o satélite funcionou conforme o previsto. O que ocorreu foi uma falha no lançador”, disse Miranda.
As causas da falha no lançador serão investigadas pelos chineses.
Segundo o Inpe, o Longa Marcha 4B é um lançador seguro, com bagagem de 34 lançamentos realizados sem nenhum problema.
A operação de lançamento do Cbers-3 custou cerca de US$ 30 milhões. Metade paga pelo Brasil.

Pressão. 

Brasileiros e chineses vão se reunir hoje na China para tratar da possibilidade de antecipar o lançamento do Cbers-4, gêmeo do Cbers-3, para o próximo ano.
Inicialmente, o lançamento está programado para 2015.

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Fracasso de lançamento frustra cientistas 
O fracasso do lançamento do Cbers-3 provocou um sentimento de frustração entre os pesquisadores do Inpe que participam do programa sino-brasileiro.
“É uma ducha de água fria”, resumiu o vice-di retor do instituto, Oswaldo Miranda.
Foram nove anos de planejamento, desenvolvimento de tecnologia e contratação da indústria nacional para a produção de componentes para o Cbers-3.
Além disso, o Brasil teve que superar barreiras, como embargo dos Estados Unidos para comprar alguns equipamentos para o satélite.
Os Estados Unidos não autoriza a venda de componentes para programas de cooperação com a China.
José Carlos Neves Epiphanio, coordenador do segmento de aplicações do programa Cbers, disse que os usuários de imagens do Cbers também devem estar frustrados.
“São mais de 30 mil usuários que aguardam pelo kit de imagens do Cbers-3 e que vão ter que esperar pelo Cbers-4″, disse o coordenador.
Para ele, a perda do Cbers-3 é como perder um amigo no dia do casamento.


Programa com China começou em 1988


O programa Cbers (satélite sino-brasileiro de recursos terrestres) foi iniciado em 1988. Inicialmente, os custos foram rateados na proporção de 30% para o Brasil e o restante para a China. Foram lançados três satélites dessa família. Todos cumpriram a missão prevista. No programa do Cbers-3, a participação Brasileira passou a 50%. O mesmo percentual para o Cbers-4.


Investimento foi de R$ 160 milhões


O investimento do Brasil no projeto e construção do Cbers-3 foi de R$ 160 milhões somente com contratos com a indústria nacional para o desenvolvimento e produção de componentes e equipamentos para o satélite. Apesar da perda do dinheiro, o Inpe avalia que o conhecimento tecnológico alcançado é patrimônio do país.

Fonte: Ovale

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