Ilha surge no mar da Arábia após terremoto no Paquistão

Fonte: www.info.abril.com.br

Uma ilha brotou repentinamente no Mar da Arábia após o violento terremoto que sacudiu nesta terça-feira (24) a província do Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, deixando mais de 300 mortos.

A centenas de quilômetros do epicentro, a ilhota surpreende curiosos e cientistas, que a observam das margens do estratégico porto de Gwadar, 400 km ao sul do epicentro do tremor, de magnitude 7,7 na escala Richter.

 ”Não é algo pequeno, é algo imenso que saiu da água”, exclamou Muhamad Rustam que, como outros milhares de habitantes de Gwadar, observava nesta quarta a protuberância rochosa que emergiu diante da costa de sua cidade.

O gigantesco montículo formado por lodo, areia e rochas tem 20 metros de altura, 40 de comprimento e cem de largura.

Pescadores intrigados se aproximavam desde a terça-feira da formação rochosa.

E na quarta-feira, os proprietários de pequenas embarcações tentaram tirar proveito de tanta curiosidade, propondo visitas à ilhota, cuja superfície é coberta de algas, pedras amarelas e peixes mortos, de acordo com um fotógrafo da AFP.

“É extremamente estranho e dá um pouco de medo ver sair da água algo assim de repente”, disse Rustam, que não parava de se surpreender.

Outros efeitos inesperados de um sismo

Outros terremotos tiveram efeitos inesperados e surpreendentes, como o potente sismo de magnitude 9,0 que provocou o tsunami devastador em 2011 no Japão.

Esse tremor foi tão potente que deslocou o eixo da Terra em 17 centímetros, o que significou uma redução da jornada em 1,8 microssegundos, segundo cálculos da Nasa.

Por trás do fascínio com a “nova ilha de Gwadar”, se esconde também uma explicação científica vinculada ao movimento das placas tectônicas e aos “vulcões de lodo”.

Uma equipe do Instituto Paquistanês de Oceanografia já viajou para a nova ilha e encontrou fortes concentrações de metano.

“Nossa equipe descobriu bolhas que sobem à superfície da Terra que estouravam em chamas perto de um fósforo”, disse à AFP Mohammad Danish, pesquisador deste instituto.

O sismólogo Gary Gibson, da Universidade de Melbourne, na Austrália, destacou que o surgimento da ilha é um fenômeno “muito raro”, sobretudo tão longe do epicentro, mas que fenômenos semelhantes já tinham ocorrido antes.

Gibson confirmou que um sismo de magnitude 8,1 registrado na região de Makran, no Baluchistão, também provocou o surgimento de uma ilhota parecida.

A ilha surgida em frente a Gwadar, que os moradores desta cidade batizaram de “Zalzala Koh” (a montanha do terremoto) não é uma estrutura fixa, mas muito lodo e rochas que vai se desintegrar com o passar do tempo, explicou Gibson.

“Esta ilha se dispersará nas próximas semanas ou meses”, avaliou também Shamin Ahmed Shaikh, diretor do Departamento de Geologia da Universidade de Karachi.

Fonte: Info.abril

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