Arara do Filme RIO não é carioca

Imagem de Amostra do You Tube

Rio, que ainda nem estreiou nos cinemas já virou uma febre. A animação, produzida e dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha, conta a história de um pássaro que nasceu no Parque Nacional da Floresta da Tijuca,em pleno Rio de Janeiro e é então capturado e levado para os Estados Unidos, onde ganha o nome de Blu. Depois de adulto, ele volta para o Rio, sua terra “natal”, onde vive várias aventuras e encontra seu amor.

A trama central do filme envolve o tráfico de animais, e a intenção é de ajudar a conscientizar as pessoas contra a venda ilegal dos bichinhos, a causa é muito nobre, mas temos um pequeno probleminha, o diretor não foi muito fiel à biologia.

A arara azul (Cyanopsitta spixii) personagem principal do filme é uma ave da caatinga nordestina, que vivia na Bahia. Os últimos exemplares na natureza, no município baiano de Curaça, desapareceram há cerca de 10 anos. A representação do animal está ótima, com a forma do bico e as cores bem fiéis à espécie real, o problema é que nunca uma ararinha azul viveria no Rio de Janeiro, de acordo com  o ornitólogo  Luis Fabio Silveira, da USP, em uma entrevista à época.

O tucano que ajuda Blu e sua namorada é um tucano-toco (Ramphastus toco), com o típico bico amarelo,  a espécie mais famosa de tucano, mas que também não vive no Rio. Essa espécie é do cerrado.

Existem aves lindíssimas, inclusive araras, tucanos e papagaios, típicos da Mata Atlântica, muitos que  ainda habitam a Floresta da Tijuca e as outras matas do Rio. Por que nenhum deles foi personagem do filme? Ficaria igualmente bonito e ainda ajudaria a educar brasileiros e estrangeiros.

Não há o que se reclamar do restante do filme, a representação da cidade, e todo o resto está maravilhoso, a única parte em que Saldanha pecou foi na representação da Fauna local.

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