Desastres climáticos e o papel do engenheiro ambiental

Hoje é o Dia Nacional do Engenheiro Ambiental e como comemoração, o Blog Ambiente Brasil resolveu publicar um artigo do presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM, Renato Muzzolon Júnior, sobre os desastres climáticos que temos vivenciado e o papel deste profissional nas ações de prevenção e correção.

Parabéns a todos os engenheiros do meio ambiente!

Não deixem de conferir o artigo:

LUZ SOBRE A TRAGÉDIA ANUNCIADA

*Eng. Ambiental Renato Muzzolon Junior

O saldo até agora é extremamente trágico.

As chuvas deste verão no Hemisfério Sul causaram diversos desmoronamentos de terra, deixaram inúmeros desabrigados e causaram mais de 800 mortes no Estado do Rio de Janeiro. No Estado de São Paulo são 23 pessoas mortas devido às enchentes. E 100 municípios decretaram estado de emergência em Minas Gerais.

Estes são os primeiros números dos desastres climáticos do mês de janeiro de 2011, época caracterizada pelas chuvas torrenciais que atingem as regiões tropicais e subtropicais do Brasil. Há alguns anos este noticiário vem se repetindo, com um número cada vez maior de óbitos e de pessoas que perdem todos os seus bens devido aos desabamentos e chuvas. A cada evento também vemos governantes sobrevoando os locais atingidos, anunciando pacotes milionários de ajuda aos municípios atingidos. Esta ajuda é muito bem vinda, e a reserva de verbas para acidentes e desastres naturais é obrigação do Estado.

Muitos culpam a situação climática por estes desastres ambientais que vem ocorrendo, mas a realidade é que são diversos os erros cometidos pela própria humanidade que acabam potencializando os resultados destas catástrofes. Exemplos destas falhas são muitos: a construção de moradias próximas aos rios ou em encostas e áreas de riscos geológicos, o descarte de resíduos nos cursos de água ou em locais inapropriados e a falta de comunicação e informação, entre outros. No entanto, o que mais preocupa é a falta de medidas de prevenção. Tais medidas exigem a elaboração de Plano Diretor, Plano de Emergências Ambientais, Plano de Saneamento Básico, Plano de Habitação de Interesse Social, Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, Plano de Gerenciamento de Recursos Hídricos, entre outros. Em comum entre eles, a participação de profissionais habilitados para sua elaboração.

Profissionais da Engenharia Ambiental (que neste mês comemoram o Dia Nacional do Engenheiro Ambiental) têm a competência técnica para compor estes grupos de trabalho, com a função de resolver problemas concretos de prevenção e remediação.

Uma das aptidões que deve ser desenvolvida pelo Engenheiro Ambiental, é a avaliação da duração, magnitude e reversibilidade das alterações causadas pela atividade humana no meio ambiente, independentemente de sua natureza adversa ou benéfica. No caso pontual ocorrido na região Serrana do Rio de Janeiro, – como exemplo – o Engenheiro Ambiental certamente priorizaria agir preventivamente, antes mesmo da ocorrência do dano ambiental. O que temos como valor, é que prevenir é torna-se mais eficaz tanto economicamente, quanto ambientalmente ao invés de remediar situações como esta. O que queremos dizer é que utilizaríamos menos recursos se fossem tomadas ações de retirada da população das áreas de risco, ao invés de recuperar cidades praticamente destruídas pelo planejamento urbano equivocado ou pela falta deste.

Dito isto e já ocorrido o dano ambiental, cabe ao Engenheiro Ambiental juntamente com profissionais dos outros ramos da engenharia, geologia, sociologia, arquitetos e urbanistas, entre outros, tomarem ações corretivas para reparar os estragos causados pelas tragédias ocorridas e há muito tempo anunciadas.

O que deverá ser feito (caso do Rio de Janeiro), é a recomposição florestal das encostas e das matas ciliares, relocação dos desabrigados para áreas que não apresentam risco, e primordialmente, um mapeamento geológico para identificação dos locais que ainda podem sofrer desmoronamentos e novas enchentes, retirando os moradores que ainda possam estar nestes locais, e evitar novas ocupações.

*Renato Muzzolon Junior é Engenheiro Ambiental e Engenheiro de Segurança do Trabalho, e presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM.

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