James Lovelock: humanos não são espertos o suficiente para parar a mudança climática

James Lovelock (90) criador da Teoria de Gaia, em uma entrevista ao jornal The Guardian, foi capaz de discorrer sobre muitos assuntos desde o Climategate, a super confiança em modelos computacionais, a necessidade do ceticismo climático, energia eólica versus nuclear, o IPCC e a influência dos lobistas, e finalmente (como sugere o título) a habilidade dos humanos em lidar com situações complexas como as mudanças climáticas. A entrevista completa está disponível apenas em inglês, abaixo estão os principais pontos abordados por Lovelock:

Indo direto ao ponto, Lovelock afirma:
” Eu não acho que nós já tenhamos evoluído a um ponto em que somos capazes de lidar com situações tão complexas como a mudança climática. Nós somos animais muito ativos. Gostamos de pensar, ‘Ah sim, esta seria uma ótima política,’ mas isso nunca é tão simples. As guerras nos comprovam o quanto esta afirmação é verdadeira… a mudança climática é como uma repetição de uma situação em tempos de guerra. Ela pode facilmente nos levar a uma guerra física”.

Continuando com a metáfora sobre a guerra, Lovelock afirma que para combater a mudança climática é necessário um mundo mais autoritário, dizendo que:
” Nos tornamos uma espécie de mundo descarado e igualitário onde todos podem ter a sua voz. Isso é uma coisa ótima, mas há certas situações, a guerra é um exemplo típico, em que não se pode fazer isso. Até as melhores democracias concordam que em épocas de guerra, a democracia deve ser deixada de lado por um momento”.

Sobre os céticos do clima, Lovelock diz que existem dois tipos: os bons (ele cita Nigel Lawson como um deles) que tem feito um bom trabalho, e os malucos “que não tem feito nenhum favor a ninguém.” Alguns desses trabalham para companhias de petróleo, governos, etc. Lovelock acrescenta também que nenhum erro que algum cientista do clima já cometeu, não se compara aos danos provocados pelos lobistas motivados por políticos e que “irão manipular dados ou selecionar dados para provarem o seu lado”.

Os outros pontos que Lovelock também abordou foram:
1) O Climategate estava predeterminado a acontecer, agora a ciência não é um chamado vocacional, como costumava a ser antes; 2) Nos tornamos extremamente confiantes nos modelos computacionais, e “tendemos a ser muito presunçosos para notar as suas limitações”; 3) COP15 foi predestinada a falhar e foi “obsceno” transportar 10000 pessoas de avião para Bali para falar sobre meio ambiente; 4) adaptação e energia nuclear, ao invés de turbinas eólicas que não funcionam, é onde nós deveriamos estar gastando o nosso dinheiro.

No final Lovelock conclui que apenas uma grande catástrofe natural, como o colapso da Geleira Pine Island na Antartica e o rápido aumento do nível do mar ou condições de secas extremas, como o que ocorreu no período chamado de “dust bowl,” no meio oeste americano, para fazer com que os humanos tomem ação.

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