Inserção tardia de jovens nas políticas públicas atrasou avanços

Márcio Pochmann,  presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), disse que o Brasil “chegou tarde” em relação às políticas públicas para os jovens. No dia 19 de janeiro, o Ipea lançou a pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, para analisar a situação dessa população em relação ao acesso a diversos direitos, como educação, saúde, cultura e segurança. “Mesmo com a Constituição de 1988, ganhou mais importância o tema da criança e do adolescente. Há uma série de êxitos nas políticas para esse segmento, no entanto a inserção dos jovens nas políticas públicas é algo muito recente ”, apontou.

O Brasil possui hoje uma população de 50 milhões de jovens (entre 15 e 29 anos), o que representa 26% do total de 190 milhões de brasileiros. O estudo aponta, por exemplo, que 31% podem ser considerados pobres têm acesso ao ensino superior na faixa etária dos 18 aos 24 anos.

Na avaliação de  Jorge Abrahão, diretor de estudos e políticas sociais do instituto, a juventude entrou na agenda de políticas públicas somente no final dos anos 90. Segundo ele, nos últimos anos a “institucionalização” dessas políticas resultaram em melhoria para o jovem. Ele cita como pontos importantes a criação da Secretaria Nacional da Juventude e do Conselho Nacional da Juventude, em 2005.

“Avançamos muito mais nos últimos cinco anos do que se fez em décadas no Brasil. O país entrou tarde na atenção ao jovem, mas entrou forte. Temos uma longa trajetória pela frente”, defendeu o secretário nacional da juventude, Beto Cury.

Mas Pochmann acredita que falta coordenação e articulação entre as diversas políticas públicas voltadas para a juventude. “Elas padecem de um problema que é a baixa coordenação. Temos programas em diferentes ministérios no governo federal e diversas políticas em âmbito estadual e municipal. Sem uma coordenação, a capacidade ser eficiente e reduzir custos fica comprometida”, afirma.

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