350 – A cifra da segurança climática

De acordo com o escritor e ambientalista americano Bill McKibben, “O número 350 é o mais importante do planeta”. Segundo ele, essa cifra é a abreviatura da “segurança climática”, representando, neste caso o limite de concentração de carbono na atmosfera que o mundo deve adotar para evitar uma catástrofe ambiental, medido em partes por milhão.

McKibben lidera um grupo que pretende disseminar o “350″ pelo mundo como palavra de ordem. O nível atual de concentração já é maior do que isso: 381 ppm. No período pré-industrial era de 278 ppm.

Participantes da campanha que adota o lema estiveram, no mês passado, em Bonn (Alemanha) para protestar durante a reunião em que os países começaram a negociar as metas de redução de gases-estufa. O acordo será fechado em dezembro, em Copenhague.

Em entrevista à Folha, McKibben diz que a Idéia partiu de um estudo de James Hansen, da Nasa, e sua equipe.

Quando o gelo do Ártico derreteu tão rápido no verão de 2007, cientistas constataram que qualquer quantidade de carbono na atmosfera que exceda 350 partes por milhão é demais. E isso é uma má notícia, porque agora já estamos em 387 partes por milhão e em crescimento constante.

McKibben e seu grupo pretendem disseminar o número para o mundo por meio de um site (www.350.org), e no dia 24 de outubro, Dia Internacional da Ação Climática, farão milhares de protestos criativos para comunicar a campanha. Até agora já são 573 ações inscritas, em 50 países.

Haverão alpinistas no alto do Himalaia, 350 mergulhadores na Grande Barreira de Corais [Austrália], manifestações na ilha de Páscoa, e, diz McKibben, por que não 350 cariocas de biquíni dando o recado na praia de Ipanema? Ou 350 ciclistas nas maravilhosas ciclovias de Curitiba?

De acordo com o escritor, nós temos de nos livrar dos combustíveis fósseis o mais rápido possível. Parte disso significa não construir mais usinas movidas a combustíveis fósseis, como o Brasil pretende fazer.

”Nos EUA, temos tido sucesso em impedir novas usinas a carvão. Não é justo para o Brasil, China e Índia deixar de fazer o que as nações ricas fizeram”.

Mas a física e a química do aquecimento global mostram que não há outra escolha. A única cura para essa injustiça é ter certeza de que as nações ricas irão fornecer alguns subsídios que permitam aos países em desenvolvimento evitar os combustíveis fósseis e encontrar outras fontes de energia.

O escritor revela fazer suas próprias contribuições para a causa. O uso painéis solares no telhado, para energia e água quente, o primeiro carro híbrido da Honda em seu Estado [Vermont, EUA], o consumo de alimentos locais, são alguns dos hábitos sustentáveis que ele tem.

Ao falar sobre os Estados Unidos, McKibben confia nas intenções de Obama, porém afirma que os interesses da indústria de energia são muito fortes. Portanto existe a necessidade de que se faça algo digno de crédito, para pelo menos iniciar o processo, ao invés de esperar o governo.

Email this page
Este post foi publicado emAção, Aquecimento Global, Internacional, Personalidades, Política e tags , , , , , . Bookmark o permalink.Este conteúdo está fechado ara trackbacks, mas você podepostar um comentário.

Deixe uma resposta